Sinta-se à vontade para comentar e fazer sugestões.

"Capacidade" e "Capacitação"

Mais dois exemplos
de palavras correlatas
mas com significados
diferentes.


Algumas pessoas costumam dizer que um um profissional é uma pessoa capaz quando na realizada quer dizer que é  uma pessoa capacitada. A diferença está no fato de que "capaz" é alguém que tem capacidade para realizar algo e "capacitado" é alguém que recebeu ou adquiriu a capacitação para essa realização. Em outras palavras: o capacitado para uma determinada atividade é um especialista nessa atividade, mas alguém pode ser capaz de fazer coisas sem necessidade de se especializar nelas. Há pessoas que sabem resolver problemas em chuveiros, liquidificadores, etc., sem terem se tornado especialistas em técnica de aparelhos elétricos.
A capacidade é a condição de uma pessoa fazer algo, de uma ferramenta servir para determinada finalidade (como martelo, instrumento capaz ajudar na fixação de pregos), etc. A capacitação é a aquisição de habilidades para melhorar a capacidade. Em termos profissionais, é a habilitação adquirida em cursos e treinamentos para melhorar o desempenho. Também se usa a palavra "capacitação" quando se trata da melhoria de um projeto já considerado eficiente para obter uma finalidade, tornando-o eficaz. Isto também significa que há uma diferença entre o que é "eficiente" e o que é "eficaz".
Uma pessoa acostumada a consertar chuveiros em casa faz isto de forma eficiente, mas um profissional capacitado para isto tem maiores condições de fazer isto de forma eficaz. Isto acontece porque o capacitado adquiriu formação profissional. Quem tem capacitação supera as condições de quem tem capacidade porque o capaz sabe fazer algo. Porém, o capacitado sabe fazer esse mesmo "algo", mas na condição de alguém que recebeu formação teórica e prática para isto. É por isto que, quando há ofertas de emprego, os contratantes exigem que o candidato às vagas seja capacitado. Também é por isto que muitas empresas fazem com que os já empregados frequentem cursos de capacitação de vez em quando, pois mesmo os profissionais já capacitados precisam ampliar sua capacitação sempre.
Também existe a palavra "capacitância". Em física, é conhecida também como "capacidade elétrica". Refere-se a uma grandeza determinada pelo teor de energia elétrica que pode ser acumulado por uma determinada tensão (diferença de potencial elétrico entre dois pontos). O componente que armazena cargas elétricas é um capacitor. A capacitância é a capacidade que um capacitor tem para isto.
Quanto às suas condições para fazer redações, você pode ver isto desta forma: se você sabe apenas escrever bem, já é capaz de fazer boas redações. No entanto, se você se dedicar sempre a estudar mais a gramática, regras redacionais, buscar sempre novas informações sobre todos os assuntos, você se tornará cada vez mais capacitado para fazer redações cada vez melhores. 

Diferenças Entre "Judicial" e "Jurídico"

Tenha cuidado
quanto aos significados
destas palavras.



Na verdade temos que ter muito cuidado quanto ao uso de todas as palavras. Uma palavra escrita ou pronunciada corretamente, mas usada com um significado que não é o dela, geralmente faz o leitor da redação ou a pessoa que ouve quem fala ter uma interpretação equivocada, diferente e talvez até contrária ao que a pessoa que escreveu ou falou quis dizer. Isto pode ocorrer, por exemplo, quando alguém emprega as palavras "judicial" e "jurídico" ou "jurídica" como se fossem sinônimas. 
"Judicial" é tudo que se refere a atribuições de juízes, de tribunais, da Justiça (Federal, Estadual, etc.). É um adjetivo de gênero invariável ("uma questão judicial", "um caso judicial", etc.). "Jurídico" é tudo que se realiza com base nos princípios do direito, através da justiça. Ou seja: as questões jurídicas são decididas por via judicial, mas uma coisa não é a mesma que a outra. Tentarei explicar isto usando como exemplo uma expressão muito conhecida entre nós, os leigos, quanto ao Direito: "processo judicial".
O processo é judicial quando se trata de um procedimento em que caberá a um juiz ou a um tribunal proferir a decisão final. O tribunal é um órgão que exerce a jurisdição. "Jurisdição" é o nome que se dá às condições legais para a concessão de direitos e a aplicação de deveres. "Jurídico" é a condição do que estiver em conformidade com esses direitos e esses deveres. 

Obs.: os estudantes ou profissionais em Direito que queiram colaborar podem expor comentários acrescentando ou corrigindo informações. Agradeço desde já.

Os Verbetes

Exemplos de verbetes.
"Palavra" e "verbete"
coisas diferentes.




Muitos dicionários trazem nas capas informações como esta: "Contém mais de 100 mil verbetes." Isto faz muitas pessoas pensarem que os "verbetes" são as palavras que procuramos nos dicionários para descobrir seus significados. Se essas pessoas não sabem o que é um verbete, não sabem o mais importante: a importância da utilidade dos verbetes. É importante que você saiba isto, pois haverá momentos em que os verbetes serão de grande ajuda em determinados tipos de redações que você tiver que fazer futuramente. 
Os verbetes são notas, comentários ou qualquer acréscimo curto de informações sobre algo contido no dicionário, numa matéria jornalística ou em qualquer texto. Explicando melhor: é um texto curto, informativo, para explicar um conceito ou esclarecer uma definição. Para cumprir corretamente sua finalidade, é fundamental que o verbete siga rigorosamente as regras gramaticais de uso da escrita do idioma, seja este qual for, mas ao mesmo tempo tem que ser a mais objetiva possível. Por isto há a necessidade de precisão na escolha das palavras. Devem ser evitadas palavras que expressem opiniões e impressões pessoais, e também as figuras de linguagem e palavras de difícil compreensão para a maioria dos leigos quanto ao tema a ser tratado. 
Há verbetes de circulação, de interlocução, sócio-históricos, etc. Quanto aos de circulação, o que se pode dizer atualmente é que originalmente as obras de referência compostas de verbetes eram publicadas como tomos. Atualmente isto está em desuso porque a publicação digital traz muitas vantagens que se refletem principalmente em sua estrutura. 
Os verbetes de interlocução são destinados a um leitor leigo que busca informações especializadas. Para estes casos, existem muitos dicionários técnicos e enciclopédias especializadas em diversas áreas do conhecimento, mas a tendência à síntese, uma característica do gênero, muitas vezes dificulta para os leigos a compreensão de verbetes referentes a assuntos mais obscuros ou complexos. Por isto os verbetes de interlocução são aplicados para tornar o conhecimento sistemático acessível a qualquer pessoa que o procure. 
As obras de referência e os dicionários têm origens históricas muito diversificadas e, por isto, de difícil determinação. Nestes casos, os verbetes sócio-históricos constituem um gênero discursivo derivado da cultura racionalista, cientificista e tecnocrática dominante atualmente. Surgem a partir disto as noções de "leitor universal", a quem se destina o texto. O autor especialista, como soberano da razão, legitima-se como esclarecedor das massas. A isto une-se a atomização estrutural do conhecimento para justificar a criação de obras de referência compostas de tópicos explicativos sistematicamente construídos, mas que podem ser consultados em total isolamento uns dos outros.

A Ética na Redação

Na charge, um exemplo de atitude antiética:
comprar produtos comercializados ilegalmente.
A ética é necessária
em todas as atividades.
Inclusive em postagens e comentários

na Internet.

A palavra "ética", na língua portuguesa, originou-se da palavra "ethos", do idioma grego. Significa "bom costume", "costume superior". Uma pessoa ética é uma pessoa confiável, portadora de caráter. O contrário disto é "antiética", como se verifica no exemplo dado na ilustração.
Quem é verdadeiramente ético demonstra isto até mesmo nas redações e nas formas como se comporta em qualquer momento, inclusive quando participa de redes sociais na Internet. Às vezes algumas pessoas me perguntam como é possível verificar a ética de uma pessoa através do que ela escreve, posta ou comenta. Isto é fácil. Basta observarmos os detalhes abaixo relacionados.
Os textos devem ser sempre objetivos. Isto quer dizer que, ao expor suas opiniões, você deve fazer isto sem agressividade, respeitando as opiniões alheias e apresentando fatos comprovados que fundamentem suas opiniões. Lembre-se de que ao expor suas opiniões você está expondo seu grau de sinceridade e, portanto, seu grau de credibilidade perante as pessoas que lerão o que você escreveu ou digitou. Por isto é importante citar exemplos reais com a certeza da veracidade das informações. Uma mensagem sem dados exatos gera informação errada.
Embora as mensagens tenham que ser objetivas, é impossível produzir um texto sem ser subjetividades. Um texto subjetivo é um texto sujeito a alguma coisa. Essa "coisa" pode ser, por exemplo, a necessidade da confirmação de um fato ou uma informação. Portanto, mesmo sendo objetivo, o texto sempre será também subjetivo. "Subjetivo" é tudo que é individual, pessoal, particular. Toda opinião é subjetiva em relação a quem a emite. Uma redação argumentativa, por mais objetiva que seja, terá que conter opiniões do autor. Por isto, também será subjetiva.
Numa redação, a objetividade não é uma representação fiel do tema, é a intenção do autor em demonstrar essa fidelidade. Ser objetivo significa pretender alcançar um propósito da melhor maneira possível. Ser objetivo numa redação é procurar alcançar esse propósito através da escrita. Para isto, a ética é indispensável, e é necessário ter o máximo possível de cuidado com o uso das palavras - principalmente nas postagens e comentários nas redes sociais online, que serão lidas por um número de pessoas muito maior do que os de leitores das redações numa prova, escolares ou dirigidas a públicos específicos.

Leia mais sobre ética aquiaqui e aqui.

"Sistema Corporativo" ou "Sistema Corporativista"

Há redações jornalísticas
em que as duas formas são usadas.Será que estão
sendo usadas
corretamente?



Seja nos meios políticos, jornalísticos ou empresariais, a palavra "corporativismo" é frequentemente usada com o significado de "colaboração mútua". Como não poderia deixar de ocorrer, isto se reflete em redações de estudantes. Será que seu significado está sendo usado corretamente? A História nos ajuda a entender melhor esse significado. 
O corporativismo surgiu como um sistema político que se destacou principalmente na Itália quando o país era governado por Benito Mussolini (1922-1943). Foi quando ocorreu o Fascismo, uma forma de política radical e autoritária(*). O corporativismo político é uma doutrina e, como toda doutrina, é uma forma de ensinamento estabelecido como indiscutivelmente certo, não sendo admitidas opiniões contrárias. Essa doutrina em particular determina que o Poder Legislativo seja atribuído a corporações que representam o poder econômico. Essas corporações são nomeadas por meio de associações de classes, das quais participam cidadãos "devidamente enquadrados".
Na verdade, com base em seu significado original, a palavra "corporativismo" mantém o significado de "colaboração mútua". Entretanto, há o intuito dizer que se trata de um tipo de colaboração entre pessoas ou entidades, mas cujos integrantes fingem se preocupar com os interesses dos cidadãos, do povo, etc. As pessoas assim descritas são chamadas "corporativistas". É o que acontece quando há ofertas de emprego, mas os salários e as condições de trabalho oferecidos não são dignos.
Entretanto, com o passar dos anos, muitas palavras ganham novas interpretações que passam a ser consideradas como corretas, embora originalmente não o sejam. Em alguns sites sobre empreendimento empresarial, é possível encontramos a expressão "empreendimento corporativo" como significado de algo importante para o desenvolvimento cultural, social, etc. É com esses significados que as expressões "sistema corporativo" e "sistema corporativista" têm sido amplamente usadas.

Veja mais detalhes sobre o Fascismo aqui.

O Laudo

Poucas pessoas
prestam a devida atenção

a este tipo de redação
tão importante. 

Quando mencionamos laudos, muita gente imagina imediatamente os laudos médicos. Dependendo de cada situação, esses tipos de redação são conhecidos como laudos periciais, laborais, jurídicos, etc. Todos eles são extremamente importantes porque são emitidos por profissionais para orientar pessoas (geralmente outros profissionais) após o diagnóstico de uma determinada situação. Embora "diagnóstico" também pareça ser uma palavra relacionada à medicina, "diagnóstico" é o relato das condições físicas de uma pessoa (diagnóstico médico), do desempenho de uma empresa (diagnóstico empresarial), das condições de um motor (diagnóstico técnico), etc. Por esta razão, tudo que se refira a laudos deveria ser minuciosamente explicado a estudantes de nível médio.
Há também os diagnósticos sociais, sendo estes principalmente os emitidos após uma pesquisa estatística. Por exemplo, a população de uma cidade, de um estado ou do país; o número de pessoas desempregadas dentro dessa população; a renda per capita; o número de empregados; a quantidade de pessoas numa determinada faixa etária; etc., ou quaisquer outras informações acompanhadas de dados apresentados como suas possíveis causas. Resumindo: "diagnóstico" é o mesmo que "avaliação".
Por estas e muitas outras razões, o laudo precisa ser uma redação concisa, muito bem escrita e sucinta, com o cuidado de se incluir todas as informações de extrema importância em poucas linhas e poucas palavras. 
O diagnóstico é uma forma de direcionar o leitor do texto para os pontos cruciais do problema. Ele não destaca apenas os fatos que evidenciam a existência do problema, mas também o histórico do problema. Esta é uma forma de facilitar o direcionamento à solução. Ele deve servir para identificar suas tanto quanto for possível. Vem daí a necessária clareza máxima no texto, porque disto dependerá o prognóstico, que é uma precisão baseada em fatos reais.
O laudo laboral, também conhecido como "laudo trabalhista" ou "laudo ergonômico", é um documento que emite um parecer sob o ponto de vista relacionado à ergonomia. A ergonomia é uma área que aborda questões sobre a vida do trabalhador para evitar problemas como acidentes de trabalho, aprimorar as condições de trabalho, as condições salariais, etc. Neste caso, o laudo não visa apenas relatar o caso de uma pessoa, mas de uma categoria de profissionais. Mesas ergonômicas, cadeiras ergonômicas, etc., são móveis feitos para proporcionar a quem os utiliza o maior conforto possível, sendo devidamente adequados para as atividades no trabalho. Isto explica o nome do documento.
Penso que "laudo técnico" é uma redundância, tendo em vista que todo laudo corresponde a algum tipo de técnica. "Técnica" é tudo que se refere a métodos e processos de uma atividade. O que chamam de "laudo técnico" é um documento em que o especialista em uma determinada área profissional avalia a situação e relata problemas causados por irregularidades. "Irregularidades" tanto podem ser fatos ilegais quanto os que, mesmo não sendo proibidos, deveriam ser evitados para não causar futuros problemas.
Apesar de alguns laudos serem conhecidos como "periciais", é preciso lembrar que "perícia" é qualquer tipo de análise feita por um perito - ou seja, por um especialista. Portanto, todos os laudos são periciais. No âmbito jurídico, considera-se "laudo pericial" o texto que contém meios de prova que um juiz deverá utilizar para proferir uma sentença. Neste caso, o laudo representa impressões técnicas sobre um fato que seja objeto ou motivo de contestação judicial.
Conclui-se, então, que um laudo, seja qual for a área de atuação de quem o emite, é o meio pelo qual um especialista avalia uma determinada situação em relação aos fatos detectados e, ao mesmo tempo, aos seus conhecimentos profissionais. É o que faz, por exemplo, o auditor de uma empresa. A auditoria é um exame cuidadoso das atividades desenvolvidas na empresa. Após a conclusão de seu trabalho, o auditor emite um parecer. A redação que ele fará para revelar seu parecer será um laudo.      

"Estado" e "estado"

Os exemplos acima são estados (com letra inicial minúscula).
A grafia correta
depende do significado. 


Com muita frequência me perguntam se a forma de escrever esta palavra corretamente é "estado" ou "Estado", já que a palavra também frequentemente aparece nas mesmas formas num mesmo texto. Isto depende do significado da palavra, ou seja, do contexto em que ela estiver inserida.
A palavra "estado" começa com "e" minúsculo quando se trata de uma divisão política territorial como a de países como o Brasil ou os Estados Unidos. Nestes, casos, "estado" é todo o território sob a responsabilidade do que chamamos de "governo estadual". A palavra também tem letra inicial minúscula ("e") quando "estado" significa "condição" - exemplo: estado de saúde de uma pessoa, estado de conservação de alimentos, etc. 
A palavra "Estado" (com "E", não com "e") se refere à estrutura politicamente organizada de um governo (de um estado, de uma província, de um país, etc.) e o conjunto de instituições que controlam e administram esse governo. Por isto o governador ou a governadora de um estado, o ou a presidente, o rei ou a rainha, o imperador ou a imperadora(*), são chamados "chefes de Estado". Em resumo, "Estado" é o governo e o conjunto de todas as atribuições cabíveis ou relacionadas a ele, mas isto não significa que "Estado" e "governo" sejam a mesma coisa. "Governo". O Estado é a organização política, social e jurídica. O governo é o sistema pelo qual o chefe de Estado governa.

"Imperatriz" é a esposa de um imperador. A mulher que governa um império é uma imperadora. 

Escreva todas as palavras corretamente - inclusive as de outros idiomas.

Todas as palavras
na redação
têm que ser escritas
corretamente.

Li num site uma postagem com um conteúdo absurdo sobre a inclusão de palavras de outro idioma numa redação em português. Como se estivesse respondendo a uma pessoa que quis saber sobre a inclusão de palavras em inglês, a autora da postagem, identificando-se como uma professora de línguas portuguesa e inglesa, disse que, quando corrige uma redação em português, analisa os erros em português, não em outro idioma. Erro grave, na minha opinião. 
Quando há palavras em outro idioma com traduções correspondentes em português - como "love" ("amor"), "money" ("dinheiro"), "determination" ("determinação"), etc. - não vejo razão para usar essas palavras numa redação em português. De qualquer forma, quem pretende usar as palavras que quiser nos idiomas que quiser numa redação em português estará tentando demonstrar que conhece as palavras escolhidas e sabe como escrevê-las. Portanto, tem que escrevê-las corretamente e incluí-las também corretamente no contexto da redação. 
É até importante que os estudantes se familiarizem com determinadas palavras em inglês que estão sendo muito usadas em temas como economia, marketing, tecnologia, etc. Nas palestras e debates sobre gestão empresarial, e também em redações que abordam esses temas, são muito usadas as palavras e expressões como "holding", "coaching", "joint venture", etc. Entretanto, observem o seguinte:
"Holding" é uma empresa que detém a posse majoritária de ações de outras empresas. A holding é a empresa que administra a maioria das ações das empresas do grupo ao qual ela mesma pertence. "Coaching" é uma palavra que muita gente diz que significa "treinamento", mas não é só isto: significa "treinamentos específicos para melhorar a capacitação de profissionais ajudando-os a seguir o caminho certo". "Joint venture" pode ser entendida como "empreendimento conjunto", mas é um modelo estratégico de parceria para fins comerciais ou tecnológicos que geralmente resulta na fusão entre duas ou mais empresas que se tornam uma empresa. 
Como se percebe nos exemplos acima, o uso de palavras em inglês se justifica por dois motivos: pelo fato do inglês ainda ser comercialmente o idioma mais influente e importante do mundo e pelo fato de cada uma dessas palavras substituir o que, em português, seria dito por uma frase ou com detalhes para explicar seu conceito. Por esta razão tais palavras precisam ser bem conhecidas pelo autor da redação e isto o obriga a conhecer bem seus significados e as formas corretas de escrevê-las. 

"Bem-Vindo", "Benvindo" ou "Bem Vindo"?

Tem hífen
ou não tem?


Esta é uma pergunta que ouço frequentemente: escreve-se "bem vindo" ou "bem-vindo"? A resposta: as duas formas estão corretas, mas isto depende do sentido que se deseja dar a cada uma delas. 
O hífen é empregado quando se trata de uma saudação: "seja bem-vindo", "seja bem-vinda", "vocês são bem-vindos", "vocês são bem-vindas". Em outras situações, o hífen não se justifica porque "bem" e "vindo" não formam a mesma palavra, razão pela qual não há razão para o uso do hífen. Exemplos: 
  1. Esta chuva é muito bem vinda. 
  2. Dinheiro, neste momento, seria algo bem vindo.
  3. Elas foram muito bem vindas.
A palavra "benvindo" não existe, exceto quando ela é o nome de uma pessoa. Por exemplo, Benvindo José da Silva. Há pessoas que sugerem outra opção: "bemvindo". Como vocês sabem, nas palavras da língua portuguesa não se admite a presença do "m" antes de "v". Portanto, nunca escreva "bemvindo", "bemvinda", "bemvindos" e "bemvindas". 
Resumindo:

  1. Saudação:
    Seja bem-vindo!
    Seja bem-vinda!
    Vocês são bem-vindas.
    Vocês são bem-vindos.
  2. Se não for uma saudação, não se usa o hífen.

Diferenças entre "Conceito", "Concepção", "Ideologia" e "Ideário"

O que se costuma chamar 
de "ideologia"
é, na verdade,
"ideário". 

Palavras com certas semelhanças entre si costumam fazer com que as pessoas confundam seus significados ou pensem que são sinônimos. O problema é que as pessoas procuram as "soluções" mais fáceis ao invés de buscar as soluções mais adequadas para evitar isto. Ou seja: chegam a conclusões equivocadas por se basear apenas nas semelhanças ao invés de buscar os significados reais pesquisando sobre as diferenças. Este é o caso de "conceito" e "concepção". Um conceito é uma ideia ou noção de uma realidade observada ou experimentada. "Concepção" é o ato de conceber, criar, gerar alguma coisa. Pode-se, por exemplo, conceber conceitos.
Todo conceito é portador de significados. Você observa isto facilmente quando procura os conceitos das palavras num dicionário. Observa também que cada uma delas pode conter dois ou mais conceitos. O conceito pode ser expresso em qualquer tipo de linguagem, em uma frase extensa ou em duas ou três palavras, desde que expresse claramente o significado. Nestes casos, "conceito" é o mesmo que "definição". Eu posso expor como conceitos de "chuva": "fenômeno natural que se manifesta por meio de precipitação de água proveniente das nuvens" ou simplesmente "água proveniente das nuvens em pingos ou gotas".
A palavra "conceito" gerou a palavra "preconceito". "Pre" (partícula proveniente de "pré") significa "antes". Portanto, "preconceito" é um conceito formado antes de se ter uma ideia da realidade da coisa analisada, é uma ideia ou opinião formada antes de qualquer exame crítico adequado. O preconceito é um conceito sem fundamentos que não se manifesta apenas em palavras, mas também por meio de atitudes discriminatórias. 
Uma das palavras mais usadas de forma inadequada é "ideologia". O sufixo da palavra nos faz lembrar as ciências como a zoologia, a biologia, etc., em que "logia" significa "o estudo de". Biologia, por exemplo, é o estudo da vida ("bio" veio da palavra grega "bios", que significa "vida"). Isto significa as pessoas que pensam que "ideologia" é um conjunto de ideias estão equivocadas. "Ideologia" é o estudo das ideias, das opiniões, dos conceitos e dos preconceitos. A palavra que significa realmente o conjunto de ideias é "ideário".
Numa redação, a palavra "ideologia" com o significado de "ideário" pode ser aceita, já que isto se tornou uma espécie de censo comum. Entretanto, a palavra "ideário" é a que de fato expressa melhor o significado do conjunto de ideias provenientes de experiências, doutrinas e observações da vida e do mundo em que vivemos. Há o ideário político, o religioso e outros que se tornam ideologias quando o objetivo é reunir as ideias para estudá-las.  

"Obcecado" e "Obsessão"

Um exemplo de obsessão.
Não há relação
entre os significados
das duas palavras.


Há pessoas que escrevem "obcessão" ao invés de "obsessão" por causa da grafia de "obcecado". Entretanto, a grafia correta da outra palavra é "obsessão". As regras ortográficas não são estabelecidas por mero acaso ou de forma aleatória. Elas têm razões específicas. Nos casos de "obsessão" e "obcecado", as grafias estão relacionadas aos significados e às origens das palavras.
"Obsessão" é um comportamento de insistência. Neste ponto, é preciso lembrar que a insistência é diferente da persistência. "Persistir" é manter a tentativa de conseguir algo difícil, mas possível. "Insistir" é manter continuar tentando algo impossível. Portanto, a persistência é uma qualidade mas a insistência só causa problemas principalmente ao próprio insistente. Nas histórias em quadrinhos de Maurício de Souza, o elefante Jotalhão é sempre vítima da obsessão da formiguinha que insiste em ser sua namorada. Esta é uma forma de mostrar às crianças que a obsessão só causa incômodos à formiga e ao elefante. Em outras palavras: se você é apaixonado(a) por uma pessoa mas esta não tem o mesmo sentimento em relação a você, não insista num relacionamento amoroso com ela. Sua insistência se tornará um incômodo para essa pessoa que você diz que ama e prejudicará você também.
Uma pessoa obcecada é uma pessoa que não consegue perceber que sua insistência é prejudicial. Ela confunde sua própria insistência com a persistência. Isto também é uma forma de obsessão, mas "obcecado", "obcecada", "obcecados" e "obcecadas" são palavras escritas com "c" ao invés do "s" porque estão relacionadas porque, no verbo "obcecar", a parte "cecar" provém do verbo latino "cecare", que significa "cegar". É uma forma metafórica de dizer que a pessoa está "cega" - não consegue "enxergar" o problema que sua obsessão está causando. Eis por que se escreve "obsessão" e "obcecado". Neste caso, "ver" e "enxergar" passam a ter o significado de "perceber".
 

Você sabe os significados destas palavras?

Teste seus conhecimentos sobre estas palavras escolhendo a resposta correta para cada uma delas.


Ponha suas respostas no espaço para comentários digitando o número de cada questão e a letra correspondente à opção que você escolheu como resposta correta. 
Exemplos:
1 - b
2 - c
3 - d

Obs.: Os exemplos citados acima não significam que as respostas estão corretas. São apenas para orientar como as respostas escolhidas por você devem ser expostas.

1) Analgésico.
a) Medicamento para diminuir ou eliminar dores.
b) Um tipo de anestesia.
c) Um medicamento alopático.
d) Nenhuma das respostas cima.

2) Lirismo.
a) Exaltação de sentimentos pessoais.
b) Romantismo.
c) Suavidade.
d) Um gênero musical.

3) Óbolo.
a) Esmola.
b) Unidade de peso da antiga Grécia.
c) Beijo
d) Uma unidade monetária.

4) Monetário
a) Relativo ao dinheiro.
b) Relativo à economia.
c) Relativo à vida monástica.
d) Relativo à monocultura.

5) Óbulo
a) Esmola.
b) Contribuição em dinheiro.
c) Qualquer tipo de contribuição.
d) Qualquer tipo de favor.

6) Ósculo
a) Esmola.
b) Beijo.
c) Desejo.
d) Nenhuma destas respostas.

7) Abalizador.
a) Avaliador
b) Calculador.
c) Centralizador.
d) Mentor.

8) Aviar.
a) Enviar.
b) Condicionar.
c) Concluir.
d) Solicitar.

9) Apor.
a) Apresentar.
b) Dispor.
c) Contrapor.
d) Adicionar.

10) Seção.
a) Exibição de um filme num cinema.
b) Parte de um todo.
c) Corte (variável do verbo cortar)
d) Nenhuma das respostas acima.

As respostas corretas serão mostradas em breve.

A Eficiência, a Eficácia e a Efetividade

Uma redação eficiente
é uma boa redação,
mas precisa ser melhor.

O eficiente é bom, o eficaz é necessário. Isto quer dizer que uma redação eficiente é uma boa redação, mas uma redação eficaz é uma ótima redação. Em outras palavras: "eficiência", "eficácia" e "efetividade" são níveis diferentes. Há dicionários que apresentam essas três palavras como se fossem sinônimas. Entretanto, cada uma delas tem um significado bem distinto. Uma coisa eficiente é algo que funciona, uma coisa eficaz é algo que pode obter resultados melhores e uma coisa efetiva é algo que garante resultados. Em economia, a eficiência é a relação entre os resultados obtidos e os recursos pelos quais eles são conseguidos e a eficácia representa a relação entre o efeito das ações e os objetivos pretendidos de modo que essas ações garantam sucesso. A efetividade pode representar um resultado ótimo, bom, ruim ou péssimo.
"Efetividade" nem sempre significa sucesso. Como se percebe claramente, a palavra tem relação com "efeito", e este pode variar de excelente a desastroso. Portanto, o que é efetivo nem sempre é eficaz ou eficiente. Para entender melhor essa diferença, recorremos à física, disciplina que nos informa que a eficiência ocorre quando, para alguma coisa melhorar, outra coisa tem que piorar. Numa empresa, seria o sucesso de um departamento à custa do declínio de outro. A eficiência ocorre quando o resultado é obtido de forma rápida enquanto a eficiência pode significa um resultado um resultado um pouco mais demorado, mas também mais qualificado e duradouro. Numa organização, um funcionário eficaz é mais importante do que um funcionário eficiente. 
Isto funciona da mesma maneira quando você faz uma redação. Dependendo da forma como você escreve, ela pode ser ruim e, por isto, ser reprovada; pode ser eficiente (boa, mas não suficientemente boa) ou pode ser eficaz (uma excelente redação). Isto dependerá do seu grau de comunicabilidade. Eis por que é necessário que, ao redigir, você siga determinadas regras. Cada pessoa tem um estilo de texto que lhe é peculiar, mas "estilo próprio" não significa que você possa escrever como quiser. A linguagem usada não pode ser formal nem informal demais e tem que ser adequada para a finalidade a ser obtida, a categoria de leitores a quem ela será dirigida, expondo os detalhes necessários e excluindo os desnecessários.