A Páscoa é celebrada como a Ressurreição de Cristo,
mas originou-se das tradições
de povos não cristãos.
A Igreja ensina que a Páscoa é a comemoração da ressurreição de Cristo. Entre os judeus, é a comemoração da libertação de seus ancestrais hebreus que viviam como escravos no Egito. Porém, antes da libertação dos hebreus, a Páscoa já era celebrada por povos que cultuavam vários deuses. Entre
os judeus, a Páscoa é comemorada relembrando o dia em que seus
ancestrais hebreus, liderados por Moisés - e, segundo a Bíblia, guiados
por Deus - fugiram do Egito, onde viviam como escravos.
Segundo o inglês David Harley, professor universitário especializado sobre o
Antigo Testamento e estudos judaicos, a Páscoa entre as famílias
judias é comemorada com uma ceia especial, na qual são servidas comidas
tradicionais, e são cantadas canções especiais para a ocasião. Seguindo
a tradição, a criança mais nova da família pergunta: "Por que esta
noite é diferente das outras?" O pai conta então a história da fuga do
Egito, tal como está relatada no Livro do Êxodo, no Velho Testamento.
Conta o livro que esta pergunta foi feita pelo filho mais novo de Moisés
quando, ainda no Egito, ele e sua família ceavam e os hebreus se
preparavam para a fuga.
A Páscoa cristã
A
palavra "Páscoa" vem de "Pessah", que significa "Passagem" em
hebraico. Os cristãos a consideram como a mais antiga e a mais
importante festa cristã. Os judeus a celebram como libertação após a
escravidão no Egito, enquanto os cristãos a interpretam como o retorno
de Jesus após sua morte, mas em ambos os casos, existe um mesmo significado. O início de uma nova vida, a renovação de esperanças.
Mesmo
antes de ser comemorada entre os judeus, a Páscoa já era uma tradição
antiga entre povos "pagãos" (*). Eles sempre a comemoravam entre o fim
de uma estação e o início de outra - entre o fim do inverno e o início
da primavera, por exemplo. Isto também representava um ritual de
"passagem", uma nova vida, uma renovação.
Os ovos e o coelho
Os
símbolos mais conhecidos da Páscoa - o coelho e os ovos - são de origem
pagã. São provenientes de festas em honra a vários deuses das religiões
persas, romanas e armênias. Nas comemorações, entre esses povos, havia o
hábito de receber e oferecer ovos coloridos que simbolizavam a
fertilidade e o reinício da vida. A
tradição de presentar pessoas com ovos de verdade decorados é mantida
ainda hoje em vários países. Na Ucrânia, as pinturas retratam flores,
rios e outros aspectos da natureza. O mesmo ocorre na China e em outros
países europeus e asiáticos. Nesses países, essa tradição milenar não
permite que os ovos sejam comidos, pois eles representam o reinício da
vida; comê-los, portanto, seria um sacrilégio.
A
ideia de produzir ovos de chocolate surgiu na França no século XIX. A
princípio, é claro, os ovos eram feitos em casa. Eram recheados com
outros doces e às vezes com brinquedos para as crianças. Essa tradição
foi trazida para o Brasil e outros países da América pelos imigrantes
alemães. Depois, com o passar do tempo, passaram a ser fabricados e
comercializados por grandes indústrias de chocolate, como acontece ainda
hoje.
O
coelho surgiu como símbolo da fertilidade no Antigo Egito. Deve ter
sido assimilado pelos hebreus no tempo do cativeiro naquele país. Até
hoje os coelhos são reconhecidos pela sua notável capacidade de
reprodução, gerando grande número de filhotes em cada ninhada. Como a
Páscoa é interpretada como a ressurreição da vida, o coelho é visto como
o símbolo ideal.
A data da Páscoa cristã
A
data da Páscoa cristã foi fixada pela primeira vez pela Igreja Católica
durante o Concílio de Nicéia no ano 325. Passou a ser comemorada sempre
no primeiro domingo após o início da Lua Cheia na primavera, que ocorre
sempre entre 22 de março e 25 de abril.
A
decisão foi assimilada por todas as correntes cristãs, mas com
reservas. A data quase sempre coincidia com as festas pagãs, e isto não
agradava a muitos cristãos não católicos. Na tentativa de agradar a
todos, sugeriu-se que fosse comemorada logo após o "Pessach" ("Dia do
Sacrifício do Cordeiro" em hebraico), que seria o "Dia da Morte de
Jesus". Assim, as celebrações pascais passaram a integrar o calendário
da Semana Santa, que inclui a "Sexta-Feira da Paixão", o "Sábado de
Aleluia" e o "Domingo da Páscoa".
(*) Povos que adotavam diferentes religiões monoteístas ou politeístas, nem cristãs, nem judaicas ou hebraicas.
The World's Religion - vários autores - Lion Publishing - Herts, Inglaterra
Almanaque Abril - Mundo 2001 - Editora Abril - São Paulo, SP
The World Almabac - Andrew & McMell Publichers - New Jersey, EUA