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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A Deficiência na Linguagem Redacional vem da Deficiência Pedagógica

Este artigo
é uma continuação
do anterior.

Quando tentam fazer redações, as principais dificuldades dos alunos de ensino médio no Brasil são provenientes da deficiência de aprendizagem no ensino fundamental. Essa deficiência é claramente notada na incapacidade de domínio da linguagem. A linguagem é uma capacidade adquirida a partir do momento em que a criança começa a tentar pronunciar suas primeiras palavras. Sem uma orientação pedagógica adequada já no ensino fundamental, essa criança adquirirá muitas dificuldades para se comunicar corretamente. Saber escrever e pronunciar as palavras com significados corretos não é suficiente. Renata Mousinho e Evelin Schmid nos explicam as razões disto.
Renata é fonoaudióloga, doutora em linguística e professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Evelin é fonoaudióloga e mestra em linguística da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Ela e outros especialistas desenvolveram um estudo que revelou que o desenvolvimento da linguagem sem a devida orientação pedagógica desde o princípio traz obstáculos como esses que se revelam nas redações no Enxame Nacional de Ensino Médio (Enem) todos os anos: o aluno tem a ideia exata sobre o que dizer a respeito do tema proposto, mas não sabe como colocar essa ideia no papel. 
É exatamente isto que se percebe quando a maioria dos estudantes de ensino médio envia ao Redafácil pedidos sobre orientações para argumentar suas ideias nas redações. Eles sabem que a argumentação é importante mas não sabem como expô-la no texto. Em outras palavras: seus professores lhes dizem o que devem fazer mas não lhes ensinam como fazer. Esses professores  não estão cumprindo uma das principais obrigações dos professores de Língua Portuguesa: ensinar aos alunos a maneira mais adequada de dar sustentação às suas próprias opiniões nas redações. 
Renata e Evelin explicam que o uso da linguagem é o uso de símbolos linguísticos associados entre si em estruturas padronizadas. Em artigos anteriores, escrevi sobre esses símbolos e essas estruturas. De qualquer forma, isto quer dizer que, nas nossas redações, podemos dizer o que quisermos, mas nem sempre como quisermos. Mais uma vez comprova-se que cabe ao professor ensinar ao aluno a adaptar sua linguagem ao que o tipo de redação que o aluno tiver que fazer exigirá. É claro que cabe ao aluno fazer o que for preciso em seu próprio benefício: ler muito, escrever muito, pesquisar muito sobre os assuntos mais importantes, etc., mas o professor não pode deixar de cumprir suas obrigações. 

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