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quarta-feira, 9 de junho de 2010

27 - Erros muito comuns, mas que podem e devem ser evitados.

Você provavelmente ouviu várias vezes Ana Maria Braga ou seus convidados recomendando que sejam incluídas "algumas" gramas de sal nas receitas. 
Também já ouviu William Bonner dizer que "a gasolina vai aumentar", 
mas querendo referir-se ao preço da gasolina. 
Isto sem falar em expressões absurdas como "liquidação imperdível", 
"meu óculos", etc. 


Dizem que muitas vezes "os erros vem dos mestres", "é errando que se aprende", "errar é humano". O problema é que, nos casos que citei acima, os mesmos erros são repetidos constantemente, inclusive pelas mesmas pessoas. Esses profissionais costumam dizer que que essa forma de se expressarem facilita a comunicação com a população devido ao jeito popular de se expressar. No entanto, há diferenças entre "expressões populares" e "expressões erradas". Como exemplo, lembro o fato de que quando um repórter ou um narrador de futebol informa que um jogador teve problemas na panturrilha esquerda, os torcedores entendem muito bem que "panturrilha" é o nome correto da "batata" ou "barriga" da perna - neste caso, da perna esquerda. 
Também é importante lembrar que profissionais de comunicação - jornalistas, radialistas,  profissionais de propaganda e marketing - são também educadores. Mais do que os professores, estes, exatamente por serem profissionais de comunicação, são grandes responsáveis pela educação do povo, já que são oficialmente transmissores de informações. Não precisam falar e escrever em linguagem extremamente erudita, mas têm a obrigação de fazê-lo da forma mais correta possível. 

Por que "os óculos" e não "o óculos"?
Por que "dois gramas" e não "um grama"?

"Óculo" (assim mesmo, sem o "s") é o nome que se dá à peça também conhecida como "lente". Por sito, quem usa lentes de contato também usa óculos - óculos de contato. No caso de "óculos", o "s" surge no final da palavra porque são duas lentes - portanto, dois óculos. Por isto, nunca se deve dizer ou escrever "o óculos", "aquele óculos", etc. Como o substantivo está no plural, os artigos definidos ou indefinidos ou numerais que o precedem também devem ser pluralizados: "os óculos", "aqueles óculos".
Você nunca vai conseguir colocar uma grama de sal na receita porque não existe capim de sal. Isto mesmo: "grama" só é substantivo feminino quando a palavra se refere à vegetação também conhecida como "capim". A unidade de peso é um substantivo masculino, e neste caso deve-se dizer sempre "o grama", "os gramas", "um grama", "meio grama", "um grama e meio", "dois gramas", "vinte e dois gramas", "vinte e dois gramas e meio", etc.

"Imperdível" e "O aumento da gasolina"

A televisão frequentemente anuncia "filme imperdível", "show imperdível". Filmes comerciais anunciando liquidações ou ofertas "imperdíveis" são cada dia mais comuns. A palavra "imperdível" não é correta nem incorreta, ela simplesmente não existe na língua portuguesa e por isto deve ser evitada. Numa conversa entre amigos, numa linguagem informal, seu uso não apresenta problemas, mas numa mensagem formal ou transmitida através de um veículo de comunicação - televisão, rádio, jornal, out-door, etc. - deve ser evitado. Por que não escrever ou dizer "não perca o show", "não perca a promoção", etc.?
Na abertura de um telejornal, o apresentador diz: "Gasolina aumentou quatro vezes este mês". Se essa informação fosse verdadeira, seria um fato digno de comemoração, pois haveria oferta de gasolina em abundância. O problema é que, quando eles dizem isto, na verdade querem dizer que o que aumentou quatro vezes em um mês foi o preço da gasolina a ser pago pelo consumidor. A forma correta é "Preço da gasolina aumentou quatro vezes este mês". Quando dizemos que a gasolina aumentou, estamos dizendo que houve aumento do volume do combustível a ser vendido. O mesmo erro é frequentemente cometido quando se diz "aumento do feijão", do arroz, da farinha, da energia elétrica, etc.
Eu também acho que errar é humano, mas evitar a correção de algo que se sabe que está errado é outro erro que também pode e deve ser evitado. 

A seguir: "Outros erros muito comuns"

4 comentários:

  1. Olá,
    Gostei do blog, vou seguir e vou usar para futuras consultas.
    Visite o meu, se achar interessante, siga e corrija os erros.
    Até +

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  2. Olá, Falcao Peregrino!
    Será um prazer conhecer seu blogue. Grande abraço!

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  3. Olá!

    Parabéns pelo blog.

    Gostaria de deixar uma observação: o dicionário Houaiss já contém a palavra "imperdível", portanto, a palavra já foi incorporada à Língua.

    Abraços!

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  4. Olá, "Anônimo"!
    Grato pelos parabéns.
    Pois é, este é um dos problemas mais graves no que se refere à língua portuguesa no Brasil. Uma palavra errada é usada abusivamente e, infelizmente, nossos "especialistas" em língua portuguesa a incorporam nos dicionários como se fossem corretas em vez de se esforçar na colaboração para o uso das palavras corretas. O resultado lamentável é este: nem todas as palavras que constam nos dicionários são corretas. Algumas entram na lista das "aceitáveis" por mero comodismo: é mais fácil tornar as palavras "aceitáveis" do que contribuir para o uso da linguagem correta.
    Um abraço!

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